Minha Rica Casinha
14.6.07
13.6.07
O brinde a Lord Palmerston
«Ascendem a Ministros alguns homens com pouca prática da sociedade. Cincam, principalmente, em certas normas da pragmática e da cortezia. O titular de uma das pastas oferece um jantar aos chefes das missões estrangeiras.
À sobremesa, um colega sopra de tal modo a espuma da sua taça de champagne, que ela transborda e estraga o vestido da esposa do encarregado de negócios da Suécia, Mme Kantzow. Doutra vez um destes mesmos Ministros, num jantar em que não havia brindes, teima em fazer um, a Lord Howard, e principia:
- Senhores, je bais à la santé de Mr. Lord Palmerston.
O ministro de Inglaterra limita-se a responder-lhe:
-Mr, le ministre, vous êtes extrement aimable.
Nos corredores das legacões e nas salas da aristocracia casquina a risota por largo tempo.»
Eduardo Noronha
bruventana
Bilhete de Vale de Lobos

«Um dos círculos menos disputados era, nessa ocasião, o de Freixo de Espada à Cinta. Propunha-se como deputado da oposição um obscuro Gervásio Maldonado, proprietário local, com uma parentela larga na terra, interesses de lavoura, etc., e o Governo Cardoso Torres combatia-o, apresentando na lista governamental, como candidato por Freixo de Espada à Cinta, o moço bacharel Artur Gavião, filho do Presidente do Banco Nacional, que o pai, cansado da sua dissipação, queria forçar, pelos deveres que lhe imporia S. Bento - isto é o Parlamento - a uma vida disciplinada, sóbria e útil.
Conta-se que o sr. Alexandre Herculano, a este respeito, dissera, com aquele espírito misantropo que a sua voz ríspida acentuava de um relevo amargo: Se o Gavião queria morigerar o rapaz, devia-o conservar no bordel, e não o mandar para o Parlamento !»
Eça de Queirós
Bruno ventana
As lulas comunicam entre si polarizando de forma variável a luz que reflectem
“Eram oito letrados ilustres, mais o filho de Yang Tche-Tchung, atrasado mental, o que fazia um total de nove “
Wou King-Tsen
(Crónica indiscreta dos mandarins)
Bruno V
Nunca se esqueça da "máxima" do sábio Almeida Santos
José Luís Saldanha Sanches. Por José António Barreiros.
(via o insurgente)
Adenda: André, nunca se esqueça da "máxima" do sábio Almeida Santos: para os amigos, tudo, para os inimigos, nada, e para os outros, cumpra-se a lei. O SS para lá caminha.
por João Gonçalves em 13.6.07 (portugaldospequeninos)
crisdovale
As marchas do Leitão de Barros
«(...) Cheguei à conclusão que o salazarismo ainda mete medo a todos quantos vêem nas críticas aos actuais partidos, uma rejeição do regime de partidos, preferindo as marchas do Leitão de Barros, dado que sabem que, se outras fossem as condições geopolíticas e geofinanceiras, já teria havido um desfile de Gomes da Costa (ex-militante de um partido de extrema-esquerda do 5 de Outubro e que teve como conselheiro e inspirador o avô da Drª Manuela Ferreira Leite, pretexto para a greve académica de 1907, quando Alfredo Pimenta ainda era anarquista e António Sardinha republicano e positivista) na Avenida da República, ou, então, para sermos mais prosaicos, uma carta de intenções do FMI contra a bagunça. Infelizmente, o próximo 28 de Maio apenas será a cláusula de opting out para a saída da zona euro, coisa que não virá de Braga, a cavalo num comboio, mas de Bruxelas, sem aterrar no aeroporto da Bóina Verde e Vermelha... »
(in Tempo que passa)
crisdovale
The truth is simpler
«Politicians and pundits often like to think that elections are won through a mixture of policies, big ideas and an appealing image. The truth is simpler. All these are but ingredients of a larger point: trust. Most people are not very interested in politics. They decide either that they trust an incumbent government so little that they kick it out, or that they trust a party enough to put or keep it in.» (The Economist, 21.2.2002.)
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(via Bloguitica)
crisdovale
Actualidades
“Ter toadas he ter noticias mas não he ter certezas. Do ruge-ruge se fazem as cascaveis, porem parece-me que não he esta a mata de onde há de sair o coelho.”
Cavaleiro de Oliveira
crisdovale
12.6.07
Largos dias têm cem anos
"O acerto de hoje amanhã é erro e o desejado conseguido enfastia, porque tudo se vai alternando"
Memorial(pag 95)
Pinto da Costa acusado de corrupção desportiva
Apito: Morgado acusa Pinto da Costa
Apito Dourado: Pinto da Costa acusado de corrupção desportiva
Apito DouradoPinto da Costa acusado de corrupção activa
Não se trata, no caso, de uma árvore na floresta, mas tão só de um buxo na floresta.
A este propósito, não se esquecerá o papel que os jornalistas portugueses tiveram no acompanhamento, ao longo de décadas, dos êxitos do dragão, sob o papado do comendador Gomes e à mão de Pedroto e Pinto da Costa, com a coincidência admirável de os enganos de árbitros, conselhos de arbitragem, conselhos de disciplina e demais organismos ligados ao futebol nacional, jamais terem redundado em prejuízo do futebol clube do Porto.
Foi tudo, terá dito um deles (dos de topo) a uma então jovem jornalista, que o relatou no jornal onde ainda hoje escreve, por "amor ao futebol"...
crisdovale
crisdovale
Esclarecer
Excelente dissertação de Augusto Mateus (Sic-Notícias, 21.00) sobre a questão do futuro aeroporto. Informado, claro, sereno e preparado, prestou o que no caso faz falta como pão para a boca: esclarecimento.
crisdovale
No desenho do esquema

Raul Brandão
"Assim pensavam os monstros sagrados de Vailland, o militar Laclos, o aventureiro Casanova, Gallois, o matemático, o cardeal de Bernis e essoutro de que ninguém fala, Louvet de Couvray, alma e corpo de Faublas - todos, em suma, libertinos no moderno sentido da palavra, que tinham do mundo uma concepção progressiva, fria e experimental e que viam na contradição das regras e dos interesses a boa oportunidade de se aplicar um conjunto de azares e de golpes meditados com destino a minar e render a praça inimiga.
Assim pensava, e muito antes deles, o português D. Luis da Cunha (1662-1740), autor das Instruções a Marco António de Azevedo Coutinho, breviário racionalista para uso de todo o bom governante, em que se faz testamento solene de muitas regras do grando jogo, os respectivos interesses e alianças, e se fala dos « subterrâneos por onde estas se pretendem conseguir para se contraminarem »
Minar, contraminar... No desenho do esquema está o êxito da partida."
José Cardoso Pires
brventana
Uma língua de terra
«Um sítio [...]: isto é – uma língua de terra onde construímos as nossas casas e plantamos os nossos trigos.
O nosso sítio é Portugal. Não é propriamente uma nação, é um sítio. Já não achamos mau!
A Lapónia nem um sítio é: apenas uma dispersão de cabanas, na vaga extensão da neve. Podemos pelo menos desdenhar a Lapónia. A miserável Lapónia!
Como a nossa organização é mais rica, a nossa raça mais digna! Nós ao menos temos um sítio!»
Eça de Queirós
brventana
11.6.07
O jogo da dama

The primary or fundamental movements of the new school of the dance must have within them the seeds from which will evolve all other movements, each in turn to give birth to others in unending sequence of still higher and greater expression, thoughts and ideas ... "
Isadora Duncan
guido sarrasa
Pelo silêncio, com muita discrição
«Neste quase ano e meio que leva em Belém, Cavaco Silva tem levado ao extremo a conhecida máxima do general Franco: “Somos escravos das nossas palavras e donos do nosso silêncio.”(...)»
Pedro Correia Segunda-feira, Junho 11, 2007
«O recuo e o desnorte», Francisco Almeida Leite
(in Corta-fitas)
crisdovale
Un recordatorio de cómo pasa el tiempo

«En 1910, los niños soñaban con ser toreros y la glorieta de Bilbao era este descampado. La foto la cedió Milagros García Rua, su padre es uno de los niños. El fotógrafo Chema Conesa, uno de los coordinadores del proyecto Tus fotos cuentan mucho, explica la selección para una proyección en Photoespaña por varias razones: "Es un inocente juego de niños en un Madrid todavía por hacerse, un recordatorio de cómo pasa el tiempo. Entonces los niños querían ser El Gallo, igual que ahora quieren ser Beckham. La sorpresa de la foto es que sea la glorieta de Bilbao, parece increíble".» (El País-11.6)
crisdovale
10.6.07
Uma terra de mar

The original intention

Un mystère

Harriet Beecher Stowe
crisdovale
É melhor assim
«Mário Soares deu ontem uma entrevista. Mais valia não a ter dado. (...)»
V. Pulido Valente
(Publico-10.6)
crisdovale
O duende
“Son mis amores reales”
La devise de D. Juan de Tassis y Peralta, Conde de Villamediana
(“Chevalier de l´arène qui affronttait à pied les taureaux simplement pour qu´étincelle la devise que le mena à mort” – L.M. Dominguin)
O duende, como todo o bom bailador da esquivança, tem pergaminhos difíceis.
O seu campo é um território de labirintos e galerias, para o correr vai-se melhor com explorador. Espanhol e poeta: Federico Garcia Lorca.
O duende, conta Lorca, é um poder não uma atitude, é uma luta não um conceito, e nenhuma emoção é possível sem a sua mediação.
Olé! Isto tem duende!, bradou o bailarino cigano La Malana ao ouvir Brailowski tocar um fragmento de Bach. Agarrara o é da coisa, como Goethe quando, falando de Paganini, falava de um poder misterioso que todos podem sentir e nenhuma filosofia pode explicar.
O duende fantasia nas interioridades escondidas e, no dizer do nosso explorador, encontra-se durmiendo en las últimas habitationes de la sangre.
Ama as fronteiras e as feridas, e aproxima-se dos lugares onde as formas se fundem num anseio superior às suas expressões visíveis. Ser misterioso, meio diabólico meio angélico – os dois ao mesmo tempo – costuma inspirar os que nele crêem.
A sua funda vocação, acrescentaria Henri Thoreau, é a de sugar o tutano do dia.
Encanto da região do fogo, demónio furioso e devorador, irmão dos ventos carregados de areia, o duende baila com particular ligeireza por dentro dos cantadores ciganos, dos toureiros e dos poetas.
É ver João Cabral de Mello Neto:
(...)
Mas eu vi Manuel Rodriguez
Manolete, o mais deserto,
o toureiro mais agudo
mais mineral e desperto,
(...)
o que à tragédia deu número,
à vertigem geometria
decimais à emoção
e ao susto, peso e medida,
sim, eu vi Manuel Rodriguez,
Manolete, o mais asceta,
não só cultivar sua flor
mas demonstrar aos poetas:
como domar a explosão
com mão serena e contida,
sem deixar que se derrame
a flor que traz escondida.
E como, então, trabalhá-la
com mão certa, pouca e extrema:
sem perfumar sua flor
sem poetizar seu poema.”
Sueño de una sombra /o sombra de un sueño, dizia José Bergamin, mas o duende, digo eu, tem um outro dom que é o da impermanência, a arte de dizer adeus com elegância.
brunoventana
Foi ao aprisco do grande...
Sua Majestade Imperial visitou o Sr. Alexandre Herculano. O facto em si é inteiramente incontestável. Todos sobre ele estão acordes, e a História tranquila.
No que, porém, as opiniões radicalmente divergem - é acerca do lugar em que se realizou a visita do Imperador brasileiro ao historiador português.
O "Diário de Notícias" diz que o Imperador foi à mansão do Sr. Herculano.
O "Diário Popular", ao contrário, afirma que o Imperador foi ao retiro do homem eminente que... O Sr. Silva Túlio, porém, declara que o Imperador foi ao Tugúrio de Herculano; (ainda que linhas depois se contradiz, confessando que o Imperador esteve realmente na Tebaida do ilustre historiador que...)
Uma correspondência para um jornal do Porto afiança que o Imperador foi ao aprisco do grande, etc.
Outra vem todavia que sustenta que o Imperador foi ao abrigo desse que...
Alguns jornais de Lisboa, por seu turno, ensinam que Sua Majestade foi ao Albergue daquele que...
Outros, contudo, sustentam que Sua Majestade foi à solidão do eminente vulto que...
E um último mantém que o imperante foi ao exílio do venerando cidadão que...
Ora, no meio disto, uma coisa terrível se nos afigura: é que Sua Majestade se esqueceu de ir simplesmente a casa do Sr. Alexandre Herculano!
Eça de Queirós
crsdovale
9.6.07
Grande amontoado de pedras

Pedrouços, zona entre a ribeira de Algés e a avenida da Torre de Belém, foi até ao final do século XVII um local pouco povoado e, como todas as zonas periféricas da cidade de então, tinha quintas de gente nobre - entre elas avultava a dos duques de Cadaval - e algumas habitações modestíssimas. A moda do banho de mar, vinda de outras terras, assim como a crença crescente nas qualidades terapêuticas dos banhos de mar, contribuiu para Pedrouços se tornar num local de veraneio e de divertimento. Ao facto de ter areia e água limpa juntou-se uma nova forma de sociabilizar, menos rígida. A sociedade lisboeta passou a ter o hábito de ir tomar banhos de “mar” para Pedrouços e toda a família que se quisesse destacar, demorava-se, pelo menos, dois meses. Garrett por ali chorou vários desgostos de amor, Herculano acompanhou-o, mas contrariado, Fontes Pereira de Melo e Hintze Ribeiro aproveitavam para descansar das lides governamentais.Esta praia foi muito “elegante” entre 1840 e 1875 mas, no final do século, com a abertura da via-férrea, perdeu importância, destacando-se a praia de Cascais onde a Família Real tinha casa. A linha de Cascais foi inaugurada a 30 de Setembro de 1889, iniciando-se na estação de Pedrouços, aguardando pela conclusão das obras que iriam ligar ao Cais do Sodré. Ao longo do século XX, Pedrouços evolui para bairro citadino. O êxodo dos habitantes da cidade de Lisboa em busca de melhores ares, aquando das epidemias de cólera e febre-amarela nos finais do século XIX, e o aparecimento do carro americano e, depois, do eléctrico aproximaram-no da cidade.
" O pulo do lobo e a estratégia da aranha"
Os verdadeiros problemas do país dissecados impiedosamente por um jornalista desassombrado.
Absolutamente imperdível, para perceber como se jogam os golpes e onde espreitam, realmente, os perigos.
No Expresso de 9.6, assinado por Sousa Tavares.
crisdovale
Os guisados da Eufémia
Lembrando Camilo Castelo Branco, nas peripécias de A Corja:
"- As línguas do mundo... - murmurou o padre, inclinando a um lado o semblante de olhos quebrados como o discipulo amado no quadro da ceia de Vinci.
- A consciência, padre João, a consciência, e deixe lá as línguas do mundo, excepto as de vaca, que a Eufèmia guisa ricamente.
E o encomendado num riso rinchado:
- O Sr. Cónego é um maganão quando está de bom humor!.. "
brventana
A Fialho de Almeida deparou-se-lhe a manchete do Expresso
Ao autor da manchete, desde o pico da mioleira até à sua base de cimento, tudo nele conduz à inferioridade dos grandes simianos de poupas apartadas ao meio.O pobre diabo sarabandeando os neuronios, listrando d´amarello e vermelho as calças dos periodos, aparando os callos dos trópos, pondo barretininhas de chifre na cabeça marcial dos adjectivos, enfileirando linhas, coitado, preso á banca do supplicio, a recoser-se, a derreter pra´li os torresmos da psychologia e da syntaxe e tudo isto para afinal do licoroso melão anunciado, o leitor, não tocando nem de longe a pitança da polpa, comer apenas as cascas.
Ao celeste jornalista, só vale a pena dizer: Homem, isso não é música, é um boi que saltou a trincheira do sol! Ora queira embolar-se, amigo Pratas, e fazer o favor de seguir o que lá está.
crisdovale
8.6.07
Muchas gracias don José
“La música callada del toreo”
Un prodigioso mágico sentido,
un recordar callado en el oído
y un sentir que en mis ojos sin voz veo.
Una sonora soledad lejana,
fuente sin fin de la que insomne mana
la música callada del toreo.
Rafael Alberti

...Morante, naquele último touro, não foi só Morante, foi o toureiro que todos deveriam ser, o refazedor do tempo, lento e sem ouvidos aos avisos que cronometram este arte tão de dentro.
Morante es Morante porque es Morante
Morante traza geodésicas JOSÉ SUÁREZ-INCLÁN
Los 6 TOROS de Morante, una tarde que pasará al recuerdo
crisdovale
Velocidade
O fim de Zapatero
É extraordinário ver a velocidade a que Zapatero hipotecou qualquer hipótese de ser levado a sério nos temas fulcrais do país que governa.
(DE-8.6)
crisdovale
Trufas e ideias gerais
"Nas tardes em que havia «banquete de Platão» (que assim denominávamos essas festas de trufas e ideias gerais)..."
Eça de Queirós
E a cada talher correspondiam seis garfos, todos de feitios dissemelhantes e astuciosos — um para as ostras, outro para o peixe, outro para as carnes, outro para os legumes, outro para a fruta, outro para o queijo.
Os copos, pela diversidade dos contornos e das cores, faziam, sobre a toalha mais reluzente que esmalte, como ramalhetes silvestres espalhados por cima de neve.
Mas Jacinto e os seus filósofos, lembrando o que o experiente Salomão ensina sobre as ruínas e amarguras do vinho, bebiam apenas em três gotas de água uma gota de bordéus Chateaubriand, 1860.
Assim o recomendam Hesíodo no seu Nereu, Díocles nas suas Abelhas.
E de águas havia sempre no Jasmineiro um luxo redundante — águas geladas, águas carbonatadas, águas esterilizadas, águas gasosas, águas de sais, águas minerais, outras ainda, em garrafas sérias, com tratados terapêuticos impressos no rótulo...
O cozinheiro, mestre Sardão, era daqueles que Anaxágoras equiparava dos Retóricos, aos Oradores, a todos os que sabem a arte divina de «temperar e servir a Ideia»: e em Síbaris, cidade do Viver Excelente, os magistrados teriam votado a mestre Sardão, pelas festas de Juno Lacínia, a coroa de folhas de ouro e a túnica milésia que se devia aos benfeitores cívicos.
A sua sopa de alcachofras e ovas de carpa; os seus filetes de veado macerados em velho madeira com puré de nozes; as suas amoras geladas em éter, outros acepipes ainda, numerosos e profundos (e os únicos que tolerava o meu Jacinto), eram obras de um artista, superior pela abundância das ideias novas — e juntavam sempre a raridade do sabor à magnificência da forma.
Tal prato desse mestre incomparável parecia, pela ornamentação, pela graça Dorida dos lavores, pelo arranjo dos coloridos frescos e cantantes, uma jóia esmaltada do cinzel de Cellini ou Meurice.
Quantas tardes eu desejei fotografar aquelas composições de excelente fantasia, antes que o trinchante as retalhasse!
E esta superfinidade do comer condizia deliciosamente com a do servir.
Por sobre um tapete, mais fofo e mole que o musgo da floresta da Brocelanda, deslizavam, como sombras fardadas de branco, cinco criados e um pajem preto, à maneira vistosa do século XVIII.
As travessas (de prata) subiam da cozinha e da copa por dois ascensores, um para as iguarias quentes, forrado de tubos onde a água fervia; outro, mais lento, para as iguarias frias, forrado de zinco, amónia e sal, e ambos escondidos por flores tão densas e viçosas, que era como se até a sopa saísse fumegando dos românticos jardins de Armida.
Eça de Queirós
bvta
7.6.07
Nota-se-lhes
Manuel Monteiro acusa Sá Fernandes de lhe roubar ideias
Eis uma questão larga. E funda. Das que filam a atenção do cidadão com dente de Pitbull. Debatida com elegância, bom senso e conhecimentos vastos sobre a coisa pública. São pessoas de reconhecido valor, que querem uma Lisboa melhor, melhor para todos, e isso nota-se-lhes logo a uma primeira vista.
crisdovale
A acção animal
Campanha anti-tourada abre polémica
«(...) Embora o apedrejamento do vídeo seja a uma mulher, a Acção Animal garante que nunca esteve em causa comparar os direitos das mulheres aos direitos dos animais.(...)»
Acção Animal. O nome é bem caçado, e vai-lhes como uma luva.
crisdovale
Pacta sunt servanda

«L´enfer même a donc ses lois? C´est fort bien; ainsi un pacte fait avec vous, messieurs, serait fidèlment observé?»
Méphistophélès:
«Ce qu´on te promet, tu peux en jouir entièrement; il ne t´en sera rien retenu. Ce n´est pas cepandant si peu de chose que tu crois; (...)»
Goethe
Faust
guido sarrasa
Velocidade em si mesma

Curiosa aliança: a fria impessoalidade da técnica e as chamas do êxtase.»
Milan Kundera
guido sarrasa
Os intemporais

With too much spirit to be ever at ease
With too much quickness to be ever thought
With too much thinking to have common thought
Alexander Pope
guido sarraza
Uma promessa de excedência

« O fim da história, considerada como ciência humana e humanística, não é uma regressão ao passado, mas uma explicação do presente, uma arte de prever e uma promessa de excedência.
(...)
Preocupou-nos sempre e conjuntamente a face da vida extinta do passado e a da vida presente, para explicarmos uma pela outra. E quanto mais tentávamos compreender a segunda, mais descobríamos na sua estrutura as estratificações indeléveis da primeira.
(...)
A primeira lição que a história e a vida nos ensinam é a da transitoriedade dos mitos, dos regimes e sistemas.»
Jaime Cortezão
(citado por Franco Nogueira in "As Crises e os Homens")
crisdovale
Esta actividade a que chamam vulgarmente "política"
«(...) Estou a ouvi-lo e a pensar que, se não tivesse responsabilidades de Governo, diria coisas muito próximas daquelas que está a dizer. Gostaria de viver numa sociedade livre onde o respeito pela pessoa e pela liberdade dos outros fosse uma preocupação constante de cada cidadão. E é isso que, como governante, o que também desejaria.
Mas o processo da liberdade é muito complexo e feliz estaria eu se a liberdade fosse uma coisa que os governos pudessem oferecer. Costuma dizer-se que a liberdade não se recebe, conquista-se. Só que não é pelo verbalismo irresponsável nem pelo anarquismo revolucionário que os povos podem conquistar as liberdades de que precisam. Eu entendo que os cidadãos só conquistam a liberdade à maneira que vão assumindo responsabilidades.
As liberdades dos cidadãos estarão sempre dependentes da estabilidade social que aos governos cabe garantir. Quando o uso da liberdade a põe em perigo, a autoridade terá sempre de ser exercida.
(...)
Repare ainda numa coisa que é muito importante: esta actividade a que chamam vulgarmente "política" e que pode ser elemento de perturbação duma sociedade, passa-se ao nível duma minoria, muitas vezes divorciada do que efectivamente constitui a Nação (...)»
Marcelo Caetano in "Conversas com Marcello Caetano" de António Alçada Baptista (Moraes ed. 1973)
crisdovale
À caça

... Ouvindo esta voz a leste e oeste, de manhã até à noite, a alma do ferreiro respondeu:
«Cá estou eu, aí vou.» E assim Perth partiu à caça da baleia.
Heman Melville
Moby Dick
guido saerraza
Podem não ser famosas
"Todo o português popular é um reformador impaciente. Não há atitude que não avalie, serviço que não comente, governança que não desconheça, ingratidão que não ouse, para maior desembaraço das suas aptidões. Estas podem não ser famosas, mas constituem a soma dum profundo sentido de perseverança e de sacrifício. Quando o mundo se super-humanizar, lá estará o português para achar natural o que acontece, e portanto necessitado de reforma, e por conseguinte de diálogo. O último homem sobre a terra terá de ser um português que duvida do que é natural e que se indisciplina perante a consumação dos séculos.
Há raças mais dinâmicas, outras mais brilhantes; mas nenhuma outra possui o segredo da importunidade que estimula, desassossega, altera, contradiz e, no entanto, não chega a ser violência.
Dizei-lhe que a vida é um dom, que o trabalho é uma honra, que o homem é uma criação maravilhosa - e ele, ou vos acha hipócritas, ou ocos e delirantes. Os princípios «a piori» não lhe merecem respeito, e prefere analisar os seus pequenos problemas quotidianos, a obstinar-se na seriedade ou atrofiar-se na eloquência que é a mãe da burla. Ele sabe que a pior injúria é enobrecer a desgraça. Ele sabe que a pior opressão é dar rosto prazenteiro às realidades sinistras."
Agustina Bessa-Luís
'Alegria do Mundo'
crisdovale
Subir e descer
«A seta para subir, segue violentamente as forças do arco e do impulso, mas para descer não tem necessidade de braço alheio, a mesma natureza a leva sem violência ao baixo, e quanto mais baixo, tanto mais depressa.
A barquinha posta na veia do rio, com a vela tomada e os remos recolhidos, levada só do ímpeto da corrente como em ombros alheios, tão descansadamente desce, como apressada. Pelo contrário, ao subir pelo mesmo rio acima, seja o vento embora tão forte que quase rebente as velas, e os remeiros tão robustos que quebrem os remos, mais é a água que suam que a que vencem.
Nós mesmos para subir a um monte, é com tanta dificuldade e moléstia, que a própria respiração se cansa e se aperta, mas para descer ao fundo do vale o mesmo peso do corpo o ajuda, aligeira e move; e mais levados que andando, chegamos sem cansar ao lugar mais baixo e último. Tão fácil é o descer, e tão dificultoso o subir.»
Padre António Vieira
crisdovale
6.6.07
"É uma espécie de Princípio de Peter"
«(...) Mas o mais empobrecedor, é o aparecimento em força de fenómenos de "amiguismo" e "grupismo", que abafam o espírito analítico e tornam os blogues tão permeáveis à cultura da troca do favor e do silêncio crítico que já existe quanto baste na comunicação social tradicional e na sociedade portuguesa. Um livro não é bom apenas porque é publicado pelo autor do blogue ao lado e a permuta de pré-publicações e anúncios congratulatórios não pode ser apenas feita por passividade ou expectativa de retribuição. É suposto que quem anuncia um livro o acha com qualidade, o conheça ou o tenha lido. Senão os blogues ficam iguais ao Jornal de Letras, mais uma coterie, ou um grupo de coteries, mais ou menos rivais que disputam entre si o escasso espaço público das editoras e da "influência".
A polémica do "amiguismo" suscitada por João Pedro George foi um primeiro alerta para esta situação. Rapidamente redundou, pela habitual máquina simplificadora, em se saber se se podia ou não escrever críticas dos livros dos amigos e colegas, o que não é o ponto. No ponto, George tinha toda a razão e o modo hostil como foi recebido particularmente revelador de que tocara numa questão sensivel.
É uma espécie de Princípio de Peter. As razões do sucesso podem tornar-se as razões do insucesso. O sucesso da blogosfera criou um novo circuito literário, jornalístico, de comentário político, de crítica, que é, como se costuma dizer, "incontornável" para directores de órgãos de informação, editores, organizadores de colóquios, animadores culturais, empresas "culturais", vereações municipais, etc.. Mas os sintomas de entrada no establishment começam a ser evidentes, com a complacência generalizada nos blogues com os produtos da própria blogosfera.
Que isto se discuta tão pouco é já por si um sintoma da doença. Não era isso uma das coisas que os blogues criticavam na imprensa?»
J. Pacheco Pereira
crisdovale
Com os cumprimentos do Guterres
«Os que justificavam as suas decisões com o argumento de que as pessoas são mais importantes do que os números não podiam ignorar que são os números que determinam como, quando e em que escala as pessoas podem ser protegidas, beneficiadas e defendidas em situações de risco.
Ao aceitarem confundir a descida da taxa de juro e a estabilidade da moeda única como factores que permitiam o aumento da despesa pública, estes protagonistas políticos agravaram a dependência da sociedade portuguesa em relação aos fluxos distributivos e condenaram ao fracasso qualquer estratégia de modernização no padrão da globalização competitiva.»
Joaquim Aguiar
(Fim das ilusões/Ilusões do fim)
crisdovale
Beyond Bush
The U.S. presidential race has become an exercise in hysteria, particularly on the Republican side. Confusing every threat with Al Qaeda, candidates vie to offer the most aggressive offensive against supposedly strange new forces menacing us. As if the U.S. had not just launched two wars. Newsweek offers a calmer plan to restore America's place in the world.
Read more online at MSNBC Newsweek
crisdovale
Entrada por Salir
Pode parecer impossível, mas, esta Primavera, a água aqui está azul.
É melhor fazer uma entrada por Salir.
bvtana
Era assim...
"(...) Dois partidos ..., sem ideias, sem planos, sem convicções, incapazes ... vivendo ambos do mesmo utilitarismo céptico e pervertido, análogos nas palavras, idênticos nos actos, iguais um ao outro como duas metades do mesmo zero, e não se amalgando e fundindo, apesar disso, pela razão que alguém deu no parlamento, - de não caberem todos duma vez na mesma sala de jantar ..."
Guerra Junqueiro
(1896)
brventana
Povo de cais e fado
« Logo a abrir, apareces-me pousada sobre o Tejo como uma cidade a navegar. Não me admiro: sempre que me sinto em alturas de abranger o mundo, no pico de um miradouro ou sentado numa nuvem, vejo-te em cidade-nave, barca com ruas e jardins por dentro, até a brisa que corre me sabe a sal. (...) »

«Corvos santificados, mártires à maré e doutores heréticos a receitarem milagres, espécies destas só em Lisboa. É um povo de cais e fado a cavalo dum diabo complacente, a gente que aqui se faz. Por isso, o à-vontade com que se junta na mesma cama o pecado com a virtude e o engenho com que sabe por uma vírgula burlesca numa estória de má sina. Por pudor é capaz de dizer amizade em insulto enternecido, por desdém agride à maneira de elogio: "Chico esperto, mãozinha bruxa", chama ele ao traficante desalmado. No entre-suspeito ouve de manso, pois sim, está bem abelha, e fala pianinho para prevenir e aclarar. Mas se o caso não entra nos acertos é capaz de perder a paciência e então, "gatos ao mar", arranca em discurso de finalmente.(...)»
José Cardoso Pires
crisdovale
Champagne extra-dry
Eça de Queirós
Eça de Queirós ao preparar, em 1888, a partir de Paris, o primeiro número da sua Revista de Portugal e, querendo a colaboração do Conde de Sabugosa, escreveu-lhe em 31 de Outubro:
“Quer você, meu caro Conde de Sabugosa, ser desta panelinha de alta literatura?
Os deveres que se lhe impõe são ligeiros – um fino e burilado artigo de vez em quando, alguma graciosa estrofe aqui e além, muita amizade pela revista e alguma pelo seu director.
Por seu turno, a revista, essa, imprime o artigo e a estrofe no melhor tipo que a Inglaterra funde, sobre o melhor papel que a Alemanha fabrica; e respeitosamente resvala na mão do autor um punhado de ouro!
Voilá! É como a mesa do Tavares ou Bragança – com a diferença do champagne extra-dry não ser servido em copos, mas em frases!”
BrunoVentana
Breviário
“Senhor de San Patrizio – disse Mazarino, aproximando um prato de lavagantes vivos que pareciam cozidos de um de lavagantes cozidos que pareciam vivos…”
Umberto Eco
"...Eu finjo, eu acomodo-me, dissimulo.
Mas quando o momento chegar, vereis do que sou capaz."
Cardeal Jules Mazarin
bvtana
Conchavaram-se todos

Estes grupos são fragmentos dispersos do único partido existente - o partido conservador - fragmentos cuja gravitação constitui o organismo do poder legislativo.
Estes partidos, todos conservadores, não tendo princípios próprios nem ideias fundamentais que os distingam uns dos outros, sendo absolutamente indiferente para a ordem e o progresso que governe um deles ou que governe qualquer dos outros, conchavaram-se todos e resolveram de comum acordo revezarem-se no poder e governarem alternadamente segundo o lado para que as despesas da retórica nos debates ou a força da corrupção na urna faça pesar a balança da régia escolha.
Tal é o espectáculo recreativo que há vinte anos nos está dando a representação nacional.”
Ramalho Ortigão
brventana
Sete pecados mortais
“ Parte é o falar bem que leva tudo após si ” - F.Rroíz Lobo
Nestes tempos, de pouco decoro, volte-se aos antigos...
bventana
É um nome
“NENHUM NAVIO TE LEVARÁ ONDE NÃO PODES”
Cavafy
O poder está em toda a parte; não que englobe tudo mas porque vem de toda a parte.
E o “poder”no que tem de permanente, de repetitivo, de inerente, de auto-reprodutor, não passa do efeito de conjunto que se desenha a partir de todas as mobilidades; do encadeamento que se apoia em cada uma delas e procura, em troca, fixa-las.
Não há dúvida que tem de ser minimalista; o poder não é uma instituição e não é uma estrutura, não é um certo poder de que alguns saiam dotados – é um nome que se atribui a uma situação estratégica complexa numa dada sociedade.
M. Foucault
brventana
5.6.07
La banda terrorista
El último comunicado de ETA
webs en español
en otros idiomas
Que "no se dan las condiciones democráticas mínimas necesarias para un proceso negociador"...
Atentado de ETA a la vista
crisdovale
4.6.07
Para brunir-lhe o typo
Antigamente, não escapavam à pena do grande Fialho de Almeida:
«Ahi começa o menino a esforçar nas tetas das marrãs que Santa Casa fez leiteiras, enviando as suas pupilas nubis, a creadas de servir, pela cidade, e expondo-as depois, nas epochas do cio, á cubrição da guarda municipal.
(...)
Quatro annos volvidos, havia V. M. de ver que bacharel em sciencias naturais estava! Elle metia as mãos nas algibeiras dos outros, sem o proprietario d´ellas dar por isso...
Elle doseava os metais amoedados nada mais que pelos reagentes das unhas, seguidos duma rapida evaporação, do cadinho dos bolsos dos papalvos para os cannos das suas proprias botifarras.
(...)
Para brunir-lhe o typo, e tornar-lhe o merito acessivel aos logares, só lhe faltava agora toillete, uma conversa de pontos scintillantes, e um poucochinho d´iniciação também nos grandes passes: acessorios que facil lhe foi ganhar, entrando para creado d´um restaurant de noite, e pondo-se a escutar, à fechadura, as palestras dos deputados e dos jornalistas.»
Brvtana
O Correio do Ribatejo
Passou uns dias em território nacional, o lendário Luis Patrício Miranda de Avillez, genuíno sucessor de Jerónimo Condeixa, que fez botar da verve queirosiana o imperecível Fradique Mendes. Luis Patricio, chegado de um antiga possessão ultramarina (Brasil), onde governa com luva de pelica opulentos empreendimentos intercontinentais, não pôde sequer deixar arrefecer os turbos do jatinho. O mundo pesado das trovoadas financeiras e dos coriscos bolsistas assoberba-o... Foi visto, ainda assim, numa pausa cintilante de cristais rebuçando gulosos tintos. Na partida levava junto aos periódicos da economia, estaladiço, o Correio do Ribatejo.
BrVtana
Por dentro
Sem Margem
"Je voudrais dire combien j’ai été heureux de recevoir à déjeuner le Premier ministre portugais, futur Président de l’Union à partir du mois de juillet prochain. J’avais eu le plaisir d’être reçu par lui à Lisbonne et l’on peut dire que nous avons fait un tour d’horizon qui s’est traduit par une très grande convergence de vues. Nous sommes d’accord sur le fait d’aller vite pour débloquer la situation institutionnelle, nous sommes d’accord pour un nouveau Traité, bref, permettant de sortir de l’impasse institutionnelle et cet accord est d’autant plus important que s’il a lieu au Conseil européen des 21 et 22 juin, c’est la présidence portugaise qui aura à le concrétiser au cours du deuxième semestre de l’année 2007. J’ai dit également ma disponibilité au Premier ministre portugais pour me rendre au mois de juillet à un dîner avec le Président Lula dans le cadre du Sommet Brésil/Europe où le Premier ministre Sócrates a bien voulu m’inviter". As palavras são de Nicolas Sarkozy, numa conferência de imprensa conjunta com José Sócrates, hoje em Paris, e acho que não deixam muitas dúvidas sobre o que vem aí. Um Tratado Constitucional europeu simplificado, aprovado no Parlamento e a pôr em prática até 2009. Ou muito me engano ou esta é a próxima pirueta do Governo de José Sócrates. A seguinte será o retrocesso na Ota (com a consequente queda de Mário Lino). Ambas devido ao magistério de influência de Cavaco Silva, que muitos tendem a menosprezar mas não irão tardar em reconhecer. Parece-me cada vez mais óbvio que o Presidente não quer um referendo à Europa e também não quer que se construa a Ota. Vamos ver quanto tempo irá demorar Sócrates a render-se a algumas evidências. Quanto mais tarde, pior.
FAL Segunda-feira, Junho 04, 2007
crisdovale
3.6.07
A águas, no Brasil
E como é que vai o investimento das águas em que a rapaziada se meteu, lá no Brasil?
crisdovale
A opinião pública
" Eu bem sei que seria mais fácil , e menos penoso para nós, o tratar de agradar a todos; mas espero também que um dia a opinião pública, que felizmente não é sempre a opinião que se publica, saberá fazer-nos justiça."
João Franco Castello-Branco
(in "Cartas D`El-Rei D. Carlos" Livrarias Aillaud e Bertrand-1924)
brventana
Vamos, Teodoro!
«(...) No fundo da China existe um mandarim mais rico que todos os reis de que a fábula ou a história contam. Dele nada conheces, nem o nome, nem o semblante, nem a seda de que se veste.
Para que tu herdes os seus cabedais infindáveis, basta que toques essa campainha, posta a teu lado, sobre um livro.
Ele soltará apenas um suspiro, nesses confins da Mongólia.
Será então um cadáver: e tu verás a teus pés mais ouro do que pode sonhar a ambição de um avaro.
Tu, que me lês e és um homem mortal, tocarás tu a campainha?
(...)
Foi então que, do outro lado da mesa, uma voz insinuante e metálica me disse, no silêncio:
- Vamos, Teodoro, meu amigo, estenda a mão, toque a campainha, seja um forte!(...)»
eça de queirós
bvta
O melhorzinho da sua rua
«Portas mostra-nos a qualidade magnífica dos postiços da nossa época...(...) Na infância foi , com certeza, o melhorzinho da sua rua e aprendeu xadrez em vários tabuleiros. Mas nunca ultrapassou um azar estruturante: ter sido enxotado tarde de mais da cama da mãe.»
Jaime Milheiro-Visao-31.5
crisdovale
Para ninguém
A drª Manuela Ferreira Leite, exemplo de seriedade e bom senso, deixou-se ir a boiar na corrente (Expresso-2.6) do atira agora, pergunta noutro dia, ao som dos acordes das transcendentais causas solenes...
E se uma, duas (ou mesmo três) das condições que dá por aquiridas, se revelar(em), afinal, erradas...
Isto não está fácil para ninguém.
crisdovale
"...parasitariamente entre os ramos da liberdade..."
O MACHADO:
O "Público", sempre tão preocupado e minucioso com "a violência da extrema-direita", fala em Bloco Negro para aqui, Bloco Negro para ali, e não desata. Naturalmente.Os meninos das diatribes de ontem em Rostock, são uma organização muito conhecida na Alemanha - a bem dizer uma rede de organizações - que não tem perdido uma oportunidade de "lutar" contra o fascismo, o capitalismo e afins, isto desde há pelo menos 15 anos. São abertamente de esquerda - anarquistas, anti-fascistas, libertários, o que quiserem - e entre outros artigos interessante sugiro a leitura de Antifascist Superhero, de Joel Morton. Só falta a habitual luminária vir dizer, como habitualmente, que o que se passou ontem foi causado por infiltrados de extrema-direita.Esta negação - por desonestidade intelectual ou por subserviência - da violência das esquerdas é tão mais patética quando se conhece a história do terrorismo europeu dos últimos 40 anos, para não falar das matanças que todos os projecto utópicos tiveram que efectuar para atingir (?) os seus objectivos. É justo dizer que existem esquerdas que há muito despediram esta escatologia macabra, que lutam por coisas com as quais facilmente me identifico.Mas nem é isso que incomoda. O que deixa um amargo na boca é que esta negação da violência revela a parte do pensamento de esquerda que abomino. Desde logo, a superioridade arrogantemente salvífica: somos perfeitos, o Inferno são os outros ( os fascistas, os Pinochet, os Franco etc) .Depois, e muito pior, é uma esquerda que sabe o que é melhor para mim se eu fosse diferente daquilo que sou; é uma esquerda que, embora vivendo parasitariamente entre os ramos da liberdade, tem sempre um machado na mão.
posted by FNV on 11:49 AM #
(in Mar Salgado)
crisdovale
Why not?
I dream things that never were and say why not."
(G. Bernard Shaw)

(Novembro 1925-Junho 1968)
The woods are lovely, dark and deep,
And miles to go before I sleep,
(Robert Frost)
Através do conhecimento

2.6.07
Falta pagar
«(...) Quem trouxe a Bragaparques para Lisboa foi o dr João Soares, convém lembrar.
(...) Entraram várias pessoas e diz-me o sr. Névoa: temos que resolver o caso do parque de estacionamento da praça da Figueira. Mas o que é que se passa? Falta pagar. Mas o quê, alguma factura? Falta pagar o parque. Mas o quê, não receberam factura? Nunca houve factura. Mas houve contrato? Não, nunca houve contrato. Mas houve um concurso? Não, não houve concurso. Mas há um protocolo, uma nota de encomenda? Não. Mas há um processo na Câmara? Também não. Portanto o parque de estacionamento da praça da Figueira foi feito assim. (...)»
Carmona Rodrigues ao Expresso -2.6
crisdovale
Ao carácter felino

"Sempre quis a verdade, a sua verdade, mesmo dissonante, mesmo estando isolado", afirmou, comparando Miguel Veiga a Sá Carneiro, no modo de "seguir na exaltante demanda de uma terra prometida portuguesa, mais livre, mais fraterna e mais solidária".
Cavaco Silva recordou que também já foi alvo das palavras "quantas vezes aceradas" de Miguel Veiga, o que, em sua opinião, revela o "destemor e a ousadia" do advogado do Porto.
"Com o nosso homenageado de hoje, aprendemos que aquele que sabe sorrir para a vida tem uma recompensa: a vida também lhe sorri", frisou.
A homenagem reuniu na Fundação Cupertino de Miranda dezenas de personalidades, quase todas do Porto, entre as quais Artur Santos Silva, Vasco Graça Moura, Valente de Oliveira, António Lobo Xavier, Carlos Brito, Arlindo Cunha, Couto dos Santos, José Pedro Aguiar-Branco, Carlos Lage, Rosa Mota, Helder Pacheco, Rui Moreira e Virgílio Folhadela.
Miguel Veiga considerou esta homenagem a "hora mais emocionante" da sua vida, agradeceu a presença do Presidente da República e o "equívoco" das palavras elogiosas que lhe dirigiram os amigos Artur Santos Silva e Vasco Graça Moura e manifestou a sua "admiração" a Cavaco Silva pelo "obstinado rigor que o fez mestre e académico nas ciências dos saberes económico/financeiros, na disciplina na maitrise e na liderança da condução da vida politica portuguesa"» (publico ,2.6)
crisdovale
“sempre disponível para servir o banco"
«... ele há de factum momentos de bom humor que vão para além do "estimável".........cum caraças.....», diz Piotr, fino como um teixo.
crisdovale
O império em Brasília
O presidente da Venezuela disse aos deputados brasileiros (à "direita brasileira") que era "mais fácil, muito mais fácil, que o Império de Portugal voltasse a instalar-se em Brasília do que ceder a concessão à oligarquia venezuelana."(sic-N, 2.6)
O dr Soares, que tem a personagem como moderno referencial, ficou certamente embevecido com este belo trecho.
crisdovale
As ironias do destino
Buzinão volta à Ponte 25 de Abril
Espera-se que seja mais edificante que o anterior, que, afinal, foi coisa de malandros.
crisdovale
1.6.07
" em despesas de representação, combustíveis e outros"
"Isaltino pede esclarecimentos a Mendes e a U. Atlântica." (publico)
Isaltino, do pico do seu feixe de aptidões, vai averiguar do que se fala, quando se fala de "outros".
crisdovale
31.5.07
I have nothing but support to offer my successor.

Tony Blair
What I've learned
reflects on the lessons of his decade as Britain's prime minister
crisdovale
Cantando o Bendito
Fomos outrora o povo do caldo da portaria, das procissões, da navalha e da taberna.
Compreendeu-se que esta situação era um aviltamento da dignidade humana: e fizemos muitas revoluções para sair dela.
Ficámos exactamente em condições idênticas.
O caldo da portaria não acabou.
Não é já como outrora uma multidão pitoresca de mendigos, beatos, ciganos, ladrões, caceteiros, que o vai buscar alegremente, ao meio-dia, cantando o Bendito: é uma classe inteira que vive dele, de chapéu alto e paletó.
Eça de Queirós
brunoventana
30.5.07
A roda da fortuna

"Para mim a crise, sob a qual nós vergamos, tem de ser encarada sob três aspectos.
O primeiro é o desequilíbrio orçamental; o segundo é a circulação fiduciária; e o terceiro é o desequilíbrio capitalista ou económico, como se quiser chamar, quero dizer, a diferença entre o ingresso e as saídas, quer de mercadorias, quer de capitais.
Ora, invertendo a ordem por que enumerei estes três elementos, começarei pelo último.
Não cansarei a câmara reproduzindo algarismos que todos conhecem, e fazendo considerações que hoje, felizmente, estão no espírito de todos e que é deplorável que o não estivessem há muito tempo; porque o facto é que, desde longos anos, nós vivemos uma vida completamente artificial, abandonando as fontes da riqueza natural do pais.
Nós chegámos a este estado, verdadeiramente anormal, de consumir exclusivamente produtos estrangeiros e de trabalhar exclusivamente com capitais estrangeiros; de nos dessangrarmos anualmente com o serviço desses capitais e com o preço desses produtos!
Assim vivíamos efectivamente e assim vivemos durante largos anos, se o espaço de meio século, pouco mais ou menos, se pode chamar largos anos; mas vivemos como?
Vivemos exagerando a soma da dívida pública até às proporções verdadeiramente esmagadoras em que hoje se encontra.
(...)
O equilíbrio orçamental não se obterá senão à custa de uni sacrifício feroz, permita-se-me a expressão, que tem ele abranger todos os funcionários, credores do estado, proprietários e industriais.
Só assim é que o movimento pôde ser nacional e o sacrifício corresponder ás exigências da situação e do país.
Este sacrifício tem de abranger empregados civis e militares, há-de abranger todos, absolutamente todos em igualdade de condições. O governo não veia aqui para estabelecer guerra de classes, veio, em nome da salvação pública, para pedir a todas as classes do país um concurso de esforços enérgicos para ver se conseguimos salvar a nossa terra da situação deplorável a que a levaram."
Discurso de Joaquim Pedro de Oliveira Martins em 20 de Janeiro de 1892.
(Ministro das Finanças no governo presidido por Dias Ferreira, apresentou o programa financeiro do novo governo)
(Portal da História -Manuel Amaral 2000-2005)
bvta
Mais de "os verosímeis"
Porto: Nuno Cardoso e membros do FCP acusados
A pouco e pouco, desvendam-se os pequenos ingredientes do "êxito".
crisdovale
O pirilampo
Jerónimo de Sousa -Adesão à greve é um «poderoso aviso» ao Governo
De facto, o céu atira-nos os astros à medida que nos vão fazendo falta. E eis que ao fim do dia, dissimulada na aparente bagatela duma declaração, brilha no escuro, donde rugem as fundas rebeliões da natureza, a luz do visionário.
crisdovale
O forno não está para bolos
A greve geral redundou num fracasso tão impressivo que até a cgtp, na tradicional palhaçada dos números, foi de uma modéstia franciscana...
Juntando a isto as últimas sondagens, parece de retirar que VPV tem ainda mais razão do que se pensava...
crisdovale
Aprofundando

Contra o fecho da RCTV
Manifestantes venezuelanos protestam na baixa de Caracas contra a decisão presidencial de fechar a estação de televisão privada Radio Caracas Television (RCTV), retirada do ar e substituída por um canal controlado pelo Estado com o objectivo de promover o seu programa socialista. Foto: Francesco Spotorno/Reuters (in publico online)
Da glória ou da penúria?
«(...)
Que país real? O da glória ou o da penúria?
Para o poder naturalmente o da glória: o país do progresso político ou económico.
Para a oposição, para os intelectuais urbanos, e, em geral, para as classes médias, que o comparavam à França ou à Inglaterra, o país da penúria.
Mas, por ironia, em todos os regimes e sob todos os governos, o país legal, do Estado e dos seus propagandistas oficiais, conseguiu impor ao pais real do campo e da indiferença cívica, o mito da glória contra a evidência da penúria.
Glória oculta, ou efémera, ou iminente. Glória do passado prestes a consumar-se no futuro.
E, dia a dia, ano a ano, século a século, a nação, persuadida da sua íntima grandeza, esperou o taumaturgo que a fizesse ressuscitar num sublime esplendor.
E taumaturgos não lhe faltaram: Pombal, Linhares, Fernandes Tomás, D. Miguel, D.Pedro, Costa Cabral, Fontes, João Franco, D. Carlos, Afonso Costa, Sidónio Paes, Salazar, Sá Carneiro e Cavaco.
Mas depois de infinitas regenerações, revoluções e reformas o Lázaro olha ainda, com inveja ou resignação, cepticismo ou confiança, o céu distante do mundo dos vivos.
O país real continua a viver da sua irrealidade.»
Vasco Pulido Valente
(Divagações sobre o "país real"- K, Dez. 1991)
bvent
A los que guste y a los que no guste
Cuestión de estrategia
Desde la aprobación del Nuevo Estatuto Político para Euskadi las cosas cambiaron para este país. Y lo hicieron en todos los sentidos, de modo intenso, y para todos los espectros políticos. Sin duda el llamado español fue mas llamativo, ya que dispuso toda la maquinaria, la existente y la que hizo falta crear, para que aquel proyecto producto de la voluntad democrática descarrilara mas pronto que tarde. Y sin reparar ni en medios ni en métodos desde aquellas primeras medidas dudosamente democráticas, como fueron la decisión del Congreso de los diputados de rechazar su debate, y tras su empeñó en una segunda y mas efectiva, cual fue la modificación de la Ley de Partidos, que cambió el escenario de participación tanto de los partidos políticos como de los ciudadanos en los asuntos públicos. Pero también desde el espectro vasquista las cosas tuvieron su evolución. De una parte, la llamada izquierda abertzale, tras posibilitar su aprobación, se lanzó a la crítica de aquel texto y al ataque a sus promotores, debido posiblemente a su falta de independencia para las decisiones de calado político. Hoy vemos que sus propuestas maximalistas no alcanzan las de base de aquel texto político, por lo que aquella crítica y su actitud solo se puede entender como consecuencia de pensar que el lehendakari y su iniciativa les habían robado la cartera del proyecto abertzale de futuro. Incluso que les entorpeciera alguna justificación de salida del armario de la violencia. Y por todo ello hoy pasan la factura de volver a poner en duda el carácter nacionalista del PNV para justificar su liderazgo en la materia. De otra, del resto del espectro abertzale surgían dudas y resquemores respecto del papel del lehendakari, tanto por quienes ponían el acento en el atrevimiento del proyecto, como otros por el indudable protagonismo social reconocido a su autor. La secuencia siguiente ha sido tanto la negativa a reeditar la coalición EA-PNV por unos, como el abordaje de una nueva lectura del proyecto por el nuevo presidente del EBB, a quien gusta hablar de la teoría de las "dos llaves" así como de su aprecio por la "seducción" a España, como contraposición muy alejada de la capacidad de decisión del texto, o al desplante institucional del Congreso al Lehendakari. Aunque no se sabe a quien corresponde en este caso el papel de seductor y seducido. La consecuencia ha sido que todos, absolutamente todos los sectores políticos, salvo determinado espectro "lealista" a los principios de aquel texto político y al Lehendakari, se han empeñado fiel y duramente en segar la hierba debajo de los pies del documento. Y sin perjuicio de las opiniones que unos u otros tengan de aquel texto, resulta especialmente relevante el papel que sigue llamado a jugar el texto y su promotor en estos momentos en los que el clima de confrontación y de hipotético riesgo de violencia es algo más que una mera enunciación de peligro. Decía el lehendakari que está dispuesto a someter a la voluntad de los ciudadanos el derecho a decidir de los vascos. Pero con la coletilla de que debe ser "en ausencia de violencia" (y con permiso de sus señorías, por añadidura). Estas fechas, en las que las elecciones han dibujado ya el mapa institucional local y foral, su sombra se sigue proyectando. Los que pacten, habrán de tener en cuenta que, en ausencia de violencia, sus gobiernos habrán de abordar el apoyo a una consulta sobre la capacidad de decisión de los vascos sobre su futuro. De la capacidad de decisión en todos los sentidos. Sobre su forma de relación con otras comunidades o territorios, o sobre su Sanidad, o sobre las limitaciones de transporte por carretera, o las del régimen del suelo, o las de la política de investigación. Pero estará presente. A los que guste y a los que no guste.
Eneko Markes
(periodicoDigital)
crisdovale
29.5.07
Dez reizinhos por uma quarta de figos
Estes disparates, de tanto repetidos, arriscam-se a fazer tese. Alguém, no seu perfeito juízo, quer um governante que seja um banana lasso e aldrabão?
É justo, nesta matéria, não esquecer as (duas) vezes em que o eleitorado escolheu Guterres...
crisdovale
Weights and measures of their own

Winston Churchill
on his father Lord Randolph Churchill
bventana
De vento norte pela proa
«(...) O certo é que a imagem vinha, de dois em dois anos, numa procissão de barcos. De barcos do Tejo, quando a natureza de Portugal se confundia e harmonizava com a natureza (...)»«VENHAM VER», por F. Carvalho Rodrigues
crisdovale
Escrever é isto

Agustina Bessa-Luís
brunoventana
Divide et impera
“A singularidade é um conceito existencial; já a identidade é um conceito de referenciação, de circunscrição da realidade a quadros de referência, quadros estes que podem ser imaginários.”
Guattari

Pelo meio do século XIX assomou à História o sistema de Governo conhecido por transformismo, do lema do político Agostino Depretis, figura de esquerda no Risorgimento e primeiro-ministro italiano por três vezes, para quem governar era "transformar os inimigos em amigos."
Adepto e consagrador dessa teoria no plano internacional foi Henry John Temple, Lord Palmerston, que governava norteado pela divisa divide et impera.
A melhor forma de lidar com as exigências das oposições e adversários, pensava, não era a de resistir a quaisquer concessões, à maneira dum Guizot ou de um Costa Cabral, mas apartar, pela razoabilidade das concessões, os moderados dos radicais.
Não ser rígido e intransigente, mas mostrar abertura e flexibilidade para poder cativar, de entre opositores e descontentes, os que se acomodavam com o possível e o realizável.
O transformismo traduziu-se no ensaio da concretização nos países da Europa do Sul do modelo de equilíbrio político inglês, confinando a luta ao palco parlamentar, sob a liderança de cavalheiros que sabiam ser tolerantes e até, mostrando desprendimento em relação a purezas ideológicas, entrar hoje num governo com os adversários de ontem.
Veja-se o exemplo nacional: entre 1850 e 1890 sucederam-se vinte e dois governos, mas foram chefiados tão só por dez individualidades.
Fontes, “quem todo lo manda”, presidiu a quatro, os famosos Duques de Saldanha, Loulé, e Ávila, bem como o Marquês de Sá da Bandeira a três, cada um, e o Duque da Terceira e Joaquim António de Aguiar a dois, cada um.
Fontes, com doze anos, Loulé com nove e Saldanha com seis, governaram Portugal em vinte e sete desses quarenta anos.
“Em politica e Administração a oportunidade é uma condição essencial”, dizia Serpa Pimentel, fidalgo, poeta romântico, socialista nas ideias, conservador nos meios, e o seu chefe Fontes Pereira de Melo reputava-se um “oportunista”: um homem de ideias avançadas que no entanto nunca as tentava aplicar sem que prudentemente avaliasse a “oportunidade” de o fazer.
Deu-se bem com o princípio, pois foi, com doze anos no total, quem mais tempo em Portugal esteve à frente de Governos saídos de eleições e, até Cavaco Silva o ultrapassar um século depois, quem liderou o Governo de maior duração – 1871 a 1877.
(De Historia de Portugal, V Vol.-Rui Ramos)
crisdovale
28.5.07
As times goes by
Virar de página
Caiu o "ponto 8". Vitória da nova geração: Jardim Gonçalves perdeu para para Teixeira Pinto.
crisdovale
"...à sua, muito sua, avenida da Liberdade."

Vasco Pulido Valente
"A República Velha"
A pedra de toque

Miguel Torga
O convencido da vida
" (...) No corre-que-corre, o convencido da vida não é um vaidoso à toa. Ele é o vaidoso que quer extrair da sua vaidade, que nunca é gratuita, todo o rendimento possível. Nos negócios, na política, no jornalismo, nas letras, nas artes. É tão capaz de aceitar uma condecoração como de rejeitá-la. Depende do que, na circunstância, ele julgar que lhe será mais útil. Para quem o sabe observar, para quem tem a pachorra de lhe seguir a trajectória, o convencido da vida farta-se de cometer «gaffes». Não importa: o caminho é em frente e para cima. A pior das «gaffes», além daquelas, apenas formais, que decorrem da sua ignorância de certos sinais ou etiquetas de casta, de classe, e que o inculcam como um arrivista, um «parvenu», a pior das «gaffes» é o convencido da vida julgar-se mais hábil manobrador do que qualquer outro. Daí que não seja tão raro como isso ver um convencido da vida fazer plof e descer, liquidado, para as profundas. Se tiver raça, pôr-se-á, imediatamente, a «refaire surface». Cá chegado, ei-lo a retomar, metamorfoseado ou não, o seu propósito de se convencer da vida - da sua, claro - para de novo ser, com toda a plenitude, o convencido da vida que, afinal... sempre foi."
Alexandre O'Neill
crisdovale
27.5.07
Esperteza saloia

O maior perigo que corre o ingénuo: o de querer ser esperto.
Tão ingénuo que cuida, coitado, de que alguma vez no mundo o conhecimento valeu mais do que a ingenuidade de cada um. A ingenuidade é o legítimo segredo de cada qual, é a sua verdadeira idade, é o seu próprio sentimento livre, é a alma do nosso corpo, é a própria luz de toda a nossa resistência moral.
Mas os ingénuos são os primeiros que ignoram a força criadora da ingenuidade, e na ânsia de crescer compram vantagens imediatas ao preço da sua própria ingenuidade.
Raríssimos foram e são os ingénuos que se comprometeram um dia para consigo próprios a não competir neste mundo senão consigo mesmos. A grande maioria dos ingénuos desanima logo de entrada e prefere tricher no jogo de honra, do mérito e do valor. São eles as próprias vítimas de si mesmos, os suicidas dos seus legítimos poetas, os grotescos espantalhos da sua própria esperteza saloia.
Bem haja o povo que encontrou para o seu idioma esta denunciante expressão da pessoa que é vítima de si mesma: a esperteza saloia.
A esperteza saloia representa bem a lição que sofre aquele que não confiou afinal em si mesmo, que desconfiou de si próprio, que se permitiu servir de malícia, a qual como toda a espécie de malícia não perdoa exactamente ao próprio que a foi buscar.
Em português a malícia diz-se exactamente por estas palavras: esperteza saloia.
Parecendo tão insignificante, a malícia contudo fere a individualidade humana no mais profundo da integridade do próprio que a usa, porque o distrai da dignidade e da atenção que ele se deve a si mesmo, distrai-o do seu próprio caso pessoal, da sua simpatia ou repulsa, da sua bondade ou da sua maldade, legítimas ambas no seu segredo emocional.
Porque na ingenuidade tudo é de ordem emocional. Tudo. O que não acontece com as outras espécies de conhecimento onde tudo é de ordem intelectual. Na ordem intelectual é possível reatar um caminho que se rompeu. Na ordem emocional, uma vez roto o caminho, já nunca mais se encontrará sequer aquela ponta por onde se rompeu.
O conhecimento é exclusivamente de ordem emocional, embora também lhe sirvam todas as pontas da meada intelectual.
Almada Negreiros
Ensaios
brventana
Recordando os nefastos
«(...) Acho que o Prof. Cavaco Silva está a cumprir aquilo que prometeu. Ou seja, que apoiará as medidas de qualquer Governo, seja ele de direita ou de esquerda, que façam progredir o país. De resto, nunca defendi a ideia de um Presidente contrapoder. Isso foi uma coisa por que nós passámos e que não foi positiva. Os Presidentes que exerceram essa função foram mais nefastos que positivos.
D. Proença de Carvalho
(visão-24.5)
crisdovale
26.5.07
Foguete de três respostas
"Vais ler, baptizadas com um título simbólico, algumas páginas de circunstância.
Fogo preso é, como sabes, e expressiva designação de um género de pirotecnia em que toda a inventiva se processa ao rés-do-chão.
Ao invés da girândola, de morteiro ou do simples foguete de três respostas, que são delírios soltos, aqui a fantasia arde, roda, faísca, estoira, mas não voa.
Amarrado, o engenho do artífice não tem licença para subir ao céu de nenhuma ilusão e desprender-se de lá, no fim da vertigem, numa lágrima de colorida melancolia."
Miguel Torga
brunoventana
Combinação oscilante
"Era ele, de todos os homens que conheci, o mais complexamente civilizado — ou, antes, aquele que se munira da mais vasta soma de civilização material, ornamental e intelectual.
Nesse palácio (floridamente chamado o Jasmineiro) que seu pai, também Jacinto, construíra sobre uma honesta casa do século XVII, assoalhada a pinho e branqueada a cal — existia, creio eu, tudo quanto para bem do espírito ou da matéria os homens têm criado, através da incerteza e dor, desde que abandonaram o vale feliz de Septa-Sindu, a Terra das Águas Fáceis, o doce país ariano.
A biblioteca — que em duas salas, amplas e claras como praças, forrava as paredes, inteiramente, desde os tapetes de Caramânia até ao tecto, donde, alternadamente, através de cristais, o sol e a electricidade vertiam uma luz estudiosa e calma — continha vinte e cinco mil volumes, instalados em ébano, magnificamente revestidos de marroquim escarlate.
Só sistemas filosóficos (e com justa prudência, para poupar espaço, o bibliotecário apenas coleccionara os que irreconciliavelmente se contradizem) havia mil e oitocentos e dezassete!
Uma tarde que eu desejava copiar um ditame de Adam Smith, percorri, buscando este economista ao longo das estantes, oito metros de economia política!
Assim se achava formidavelmente abastecido o meu amigo Jacinto de todas as obras essenciais da inteligência — e mesmo da estupidez.
E o único inconveniente deste monumental armazém do saber era que todo aquele que lá penetrava, inevitavelmente lá adormecia, por causa das poltronas, que, providas de finas pranchas móveis para sustentar o livro, o charuto, o lápis das notas, a taça de café, ofereciam ainda uma combinação oscilante e flácida de almofadas, onde o corpo encontrava logo, para mal do espírito, a doçura, a profundidade e a paz estirada de um leito."
Eça de Queirós
(civilização)
bvtana
Agarrar a realidade
VPV, depois de alguns devaneios, voltou hoje (Publico) a agarrar a realidade. Quando o faz, poucos se lhe chegam. As coisas são como são, como explicou Pirandello, e não aquilo que os homens queriam que fosse e , as nossas coisas são aquelas que VPV escreve e descreve. Ainda por cima, deixa um brinde, a definição do guterrismo: "bola de sabão".
crisdovale
Todas as partes do território nacional
CAVACO E A OTA: CONSENSO TÉCNICO E POLÍTICO
«Dois consensos», José Carlos Guinote (Pedra do Homem, 25.5.2007).
# posted by PG
(in bloguitica)
crisdovale
Não está um caso bonito?
"Isto que o Nuno Roldão Mendes diz no Cais da Linha é tão verdade, que até aleija... Pelo menos é esta a minha opinião!"
(Via Politicopata)
crisdovale











































